técnica

O que é o marketing político e porque ele é decisório na hora do voto?

15 abr 16
Perfil

Carlos de Castro* analisa:

 

O Marketing Político Eleitoral tem por objeto de estudo os fenômenos sociais e psicossociais, particularmente as questões relativas ao poder, ao voto e à estratégia para adaptar o discurso à mente do eleitor e ao imaginário coletivo das massas. Ele procura examinar criteriosamente os fatos, atendo-se não só à descrição como também à explicação desses fenômenos.

 

Cada vez mais o interesse se dirige para o entendimento do comportamento das pessoas e dos grupos sociais, como, por exemplo, as formas de participação política, o processo decisório do voto e a utilização de uma estratégia de comunicação na formação e difusão do pensamento político.

 

Dentro do imaginário coletivo existem imagens possíveis, que se pode trabalhar dentro de uma campanha política:

 

O Herói – Para criar a imagem de herói, o ator político encarna um ídolo, uma pessoa com bondade excepcional e triunfante, fadada à vitória e a façanhas, alguém que impõe respeito e recebe admiração das massas.

 

O Homem Simples – O personagem do homem comum é frequentemente utilizado para criar proximidade com o cidadão, principalmente em comunidades humildes. O ator político age com normalidade, humildade, e enaltece os pontos em que se compara à situação em que vivem os demais. Nesse papel, ele é sempre alguém que veio das massas.

 

O Líder Charmoso – Tem ar de autoridade e superioridade, mas algumas vezes se aproxima do povo com sua simpatia.

 

O Nosso Pai - É o defensor dos fracos, o “pai do povo”, o líder populista a quem o povo pede ajuda. Há o pai-herói, também chamado de “pai da pátria”, o sujeito sábio a quem devemos respeitar e ouvir pela sua experiência de vida.

 

É importante que, a longo prazo, a imagem do ator político tenha coerência, caso contrário ela não será  forte e o cidadão não se identificará. O esforço para a construção dessa imagem se dá por dois motivos: para ser consolidado um “símbolo visível e tangível”, que atraia a atenção do cidadão, e para que a imagem seja usada como rótulo e base de uma disputa.

 

A explicação da decisão do voto é objeto de três grandes vertentes teóricas consolidadas e ainda uma teoria emergente, sendo elas respectivamente: a sociológica, a psicossociologia, a teoria da escolha racional e, por fim, a teoria emotiva, que cabe às classes sociais com maior propensão para esse tipo de reação.

 

A teoria sociológica dos determinantes do voto pressupõe que a ação política (voto) é ligada aos diversos contextos sociais e, dessa maneira, não há que ser considerada como uma ação autônoma do comportamento humano. A identidade política geralmente está associada à integridade pessoal do político e aos princípios e valores que norteiam suas atitudes.

 

Já a imagem eleitoral está associada a atitudes de personagem e à construção de identidades comuns junto aos cidadãos. Assim, a imagem é relacionada à gestão das impressões, ao que o cidadão vê pelos meios de comunicação.

 

Os termos identidade e imagem podem se confundir, pois os limites entre a vida pública e privada de um ator político não são bem delimitados e, por vezes, nem os cidadãos, nem os políticos conseguem estabelecer uma começa e onde termina a outra.

 

Nessa perspectiva, a imagem política é sempre e simultaneamente uma construção e uma representação, em que os atores políticos desempenham um papel, em face aos seus potenciais eleitores e demais políticos.

 

 

Carlos de Castro(*) Carlos de Castro é Consultor em planejamento estratégico e marketing político, proprietário da CheckMat Estratégia Política. Tem 16 anos de experiência em campanhas políticas, com responsabilidade na elaboração de estratégias para vitórias eleitorais. É palestrante do curso “Caminhos do Voto” e inventor das “15 novas estratégias para vitória nas urnas”.

 

 

Ilustração: goconqur.com

Jornalistas, publicitários e especialistas em comunicação política trazem informação e análise para o debate público da atividade.

Publicações relacionadas

Novos desafios do marketing político

Como o marketing político decide as eleições

A origem do marketing político

últimas publicações
notícias Posto Ipiranga barra propaganda de João Dória na justiça

Mônica Bérgamo informa:   O TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) aceitou pedido...

exterior Estátuas de Trump nu divertem os EUA

Estátuas que satirizam o candidato republicano à presidência, Donald Trump, foram espalhadas em cinco...

opinião Campanhas para governar, não apenas para ganhar

Donald Trump e Hillary Clinton, em debate na eleição presidencial norte-americana, colocam o dedo...

técnica O voto de garrafa

Aprendi a expressão “voto duro” na Bolívia, quando atuei como consultor na campanha de...

pesquisas Penúria nas pesquisas, vôo cego nas campanhas

A eleição municipal já começou e o mercado de pesquisas eleitorais também está em...

regulação Lei Falcão 2.0 no horário eleitoral: restrições e benefício

Em 1º de julho de 1976 foi promulgada a Lei nº 6.339, batizada em...

financiamento Campanha barata ou injusta?

Michael Freitas Mohallem* comenta:   A última mudança nas regras eleitorais, em 2015, teve...

depoimentos Os Prisioneiros da Caixa 2

Ao final de seu depoimento ao juiz Sergio Moro, dentro do acordo de delação...

história Conselhos eleitorais com 2.000 anos de validade

Políticos disputam eleições há milhares de anos. E, antes mesmo de Jesus Cristo nascer,...