Em seu último programa partidário, veiculado na terça-feira (19), o PSDB apresentou a primeira versão do comportamento político que pretende exercer na oposição, após o fim da ressaca da eleição de 2014. O programa foi uma ação tática de posicionamento de comunicação, com foco no credenciamento do partido para a disputa presidencial de 2018.
A aposta é de que o “desgaste de material” político dos próximos anos seja mortal para o PT. O programa atacou Dilma frontalmemte, com um tom que lembrou os antigos programas petistas contra Sarney, o PT da oposição nos anos 1980. Foram-se os gritos de impeachment e de renúncia, e chegaram as críticas mais duras, buscando manter o protagonismo da bipolarização com o PT, num conjunto bem construído onde o objetivo é deixar clara a discordância de ideias.
O slogan usado no programa não é novo: A Favor do Brasil. Busca vacinar a crítica de que o PSDB faz oposição pela linha do “quanto pior, melhor”. Mas agora inseriram a palavra “oposição” na frente. O tema virou Oposição a Favor do Brasil.
Sem imagens grandiosas, que entraram em decadência depois do pleito de 2014, o filme teve bom nível técnico e boas soluções publicitárias, que são mais fáceis de obter quando a mensagem é de oposição e o objetivo é criticar. Obviamente, é bem mais simples atacar do que defender, em momentos de baixa avaliação de presidentes.
Em resumo, os tucanos fizeram um trabalho profissional de comunicação política, com foco no antipetismo. Os argumentos de oposição foram colocados. Resta saber da sua credibilidade e se eles terão o efeito desejado na opinião pública.
Os estrategistas do PSDB jogaram uma ficha. Apostam desde já que timing do ajuste fiscal de Dilma inviabilizará a condição do PT. Que nos três anos e meio que Dilma ainda tem de mandato, o ajuste não estará concluído. E que ele trará prejuízos irreparáveis às condições de competitividade do PT e de Lula. Os tucanos têm pesquisas e sabem que, hoje, Aécio poderia vencer Lula, Alckmin ou o quadro que se imponha.
Nas nuvens da política, todas as estratégias são táticas. O programa revelou claramente que venceu, dentro do PSDB, a tese de “deixar Dilma sangrar” e que o objetivo tucano, doravante, será ajudar a fazer isso.
Foto: Reprodução do Vídeo