Apenas 8% dos brasileiros em idade de trabalhar são plenamente capazes de entender e se expressar, por meio de letras e números. Tão somente oito pessoas, em cada 100, estão no nível “proficiente”, o mais elevado do INAF – Indicador de Alfabetismo Funcional.
Este é o resultado mais alarmante do estudo realizado pelo Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa, com apoio do Ibope, que foi divulgado agora. Os pesquisadores ouviram 2002 pessoas de 15 e 64 anos de idade, residentes em zonas urbanas e rurais de todas as regiões do país. E o que eles descobriram é que a situação piorou em relação a 2012, quando a mesma sondagem foi feita pela última vez.
É considerado “proficiente” o indivíduo que é capaz de compreender e elaborar textos de diferentes tipos (informativos, descritivos, opinativos), consegue analisar o posicionamento ou o estilo dos textos que lê, e é também apto a interpretar tabelas e gráficos. Entende-se ainda que o proficiente é capaz de elaborar, planejar e controlar processos, para resolver situações dos mais diversos tipos.
Segundo o relatório “Alfabetismo e o Mundo do Trabalho”, que sintetiza a pesquisa com o INAF em 2016, foram ampliados para cinco os níveis de alfabetismo funcional. Os percentuais obtidos por nível foram: analfabeto (4%), rudimentar (23%), elementar (42%), intermediário (23%) e proficiente (8%). O grupo “analfabeto”, somado ao “rudimentar”, compõe o o que se conhece por “analfabetos funcionais”. Eles são 27% dos brasileiros, hoje.
Essa situação coloca um enorme problema não apenas para as políticas públicas de educação e cultura, ou para todo o mercado de informação e comunicação. Ela atinge diretamente o marketing político, em seu esforço de aprimorar a expressão de candidatos e governantes, ampliar o conhecimento sobre seu trabalho e diminuir a distância entre eleitores e eleitos.
“Comunicação não é o que a gente diz, mas o que o outro entende” – diz a frase conhecida, que ninguém sabe ao certo quem formulou e muitos repetem. Talvez seja o caso de arquivá-la, se a ciência demonstra que, no Brasil, quase ninguém entende qualquer coisa que se comunique.
Veja aqui o relatório “Alfabetismo e o Mundo do Trabalho”, com mais detalhes da pesquisa.
Fonte: Instituto Paulo Montenegro / Ação Educativa