Dilma e o raio desanuviador de Obama

Pelo que se viu na TV, na web e na mídia impressa, Dilma volta um pouco maior da estadia com Obama. Maior do que saiu do Brasil. Uso a expressão “um pouco” porque não há como esconder a atual avaliação da presidente. Ela é apoiada hoje por apenas 9% dos cidadãos brasileiros, o que configura um isolamento único.

 

Mas, pensando apenas nos acontecimentos da semana e nos efeitos da visita, Dilma se deu bem. Estava fora do país quando sua péssima avaliação foi divulgada. Foi também o período em que a mídia se dedicou a detalhar, longe dela, as novas acusações dessa enorme aranha que é a Operação Lava Jato, com sua interminável teia de investigação sobre desvios na Petrobras.

 

Durante o breve tempo da visita aos Estados Unidos, Dilma foi a presidente do Brasil, representando cada um dos brasileiros junto à corte de Obama, o imperador “boa praça”. O presidente norte-americano fez seu papel, repleto de salamaleques e brincadeiras, que visam mostrar proximidade com as pessoas. Proximidade que era indispensável retomar com Dilma, depois de abalada pela denúncia de espionagem da NSA, a agência nacional de segurança daquele país.

 

Dilma falou ao lado de Obama até sobre a Lava Jato, mas em situação mais confortável, própria a uma visita oficial. Falou aos brasileiros e ao mundo em nome do país. Com isso, afastou as possibilidades de apoio internacional à tentativa de impedimento artificial de seu mandato.

 

Estamos há apenas um semestre do ano eleitoral de 2016, em que votaremos para prefeito e vereador, e haverá um realinhamento de forças políticas, como normalmente resulta das urnas. Há os que trabalham para que cheguemos às eleições municipais com o impedimento da presidente consumado, ou seja, com uma troca de comando na União em pleno ajuste fiscal. Buscam base legal para isso.

 

Se houver essa base, OK, será legal e legítimo. Mas estou entre os que acreditam que os projetos de poder devem se enfrentar dentro das regras, conforme o calendário eleitoral de 2016 e 2018. Enfrentar de forma refletida, fazendo do próximo pleito presidencial uma oportunidade para se discutir um projeto de país, e não mais um duelo de acusações mútuas.

 

Acho esse caminho mais seguro e mais eficiente para todos, principalmente para a oposição.

 

 

Foto: portalsbn

 

 

 

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