Gaudêncio Torquato comenta:
A reforma política passará por um segundo turno na Câmara, irá ao Senado e, se este fizer modificações no projeto, voltará para apreciação pelos deputados. A Câmara patinou no debate e gerou o que se chama de reversão de expectativas. Não avançou.
Acabou aceitando a continuidade da distorção que significa a coligação proporcional. Vetou a reeleição, mas não decidiu, ainda, sobre o prazo de mandato (4 ou 5 anos). Aprovou o financiamento misto para as campanhas, deixando em aberto a questão do teto. E enfiou uma cláusula de barreira, que mais parece um jogo entre amigos: basta ter um representante em uma das casas congressuais, para o partido ganhar recursos e ser legitimado.
Espera-se que o Senado aprofunde as modificações. Seu presidente, Renan Calheiros, reconhece que o momento é adequado para avanços.
Urge fechar portas escangalhadas, como esta das coligações proporcionais. Urge acabar com o financiamento de pessoa jurídica, empresa privada, que contamina o processo eleitoral, abrindo frestas de negócios. Urge aprovar um modelo majoritário de voto, que eleja os mais votados.
Urge diminuir os custos de campanha eleitoral. Urge acabar com os modelos auto-elogiativos das campanhas eleitorais. Urge ter rigor para a criação de partidos, não deixando que siglas sem voto tornem-se mercadorias no mercado eleitoral.
O Senado precisa alargar a trilha estreita aberta pela Câmara.
Gaudêncio Torquato é jornalista, analista político e consultor de comunicação. Mais informações em http://www.gtmarketing.com.br/ Seu texto foi reproduzido de post no Facebook.