Raquel Valli informa no Correio Popular:
‘Aproveitar o momento’, esse foi o mote para o advogado campineiro Thiago Vasconcellos de Souza para criar “A Marchinha do Japonês da Federal”. A música que viralizou no Youtube com mais de 80 mil visualizações, foi compartilhada milhares de vezes nas redes sociais, chegando a tocar na Globo News, programa de rádio do Ricardo Boechat e ainda compartilhada por Sérgio Mallandro, na página oficial do humorista.
A música fala sobre o agente Newton Ishii, chefe do Núcleo de Operações da PF em Curitiba, que foi citado pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS), em áudios, como sendo o ‘japonês bonzinho’. Ishii é quem sempre aparece na mídia ao lado de “peixes graúdos” da Operação Lava Jato (como o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu; o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto; o empresário Marcelo Odebrecht; e o pecuarista José Carlos Bumlai).
A marchinha foi composta para o 11° concurso da Fundição Progresso, do Rio de Janeiro, para o Carnaval 2016, cujo vencedor sai em 6 de fevereiro. “Não tinha como prever o sucesso. Fizemos como uma brincadeira e não para virar uma bandeira. A última coisa quero é ser rotulado de algo. Apenas aproveitei o cenário de bagunça em Brasília e trazer à tona algo engraçado”, afirmou Souza.
“Esperamos que essa música siga até o Carnaval de 2016. Resolvi me antecipar porque achei que haveria muitas marchinhas com esse tema”, disse.
Entretanto, com o tamanho do sucesso inesperado que a música causou, o compositor nem a inscreveu. “Devido à repercussão, quem sabe não aparece uma gravadora interessada?”, cogita.
A gravação demo, postada no Youtube, conta com vozes e violão. Mas a ideia agora é “dar uma garibada” nela, colocando percussão e coro, explicou o autor. A gravação será feita no estúdio de Rogério Vila Nova, em Barão Geraldo, em parceria com o grupo de samba campineiro Casa Caiada, disse o vocalista do grupo, Silo Sotil.
A letra de “A Marchinha do Japonês da Federal” foi musicada pelos campineiros Dani Battistoni, Rogério Vila Nova, o ‘Jabolinha’, e o paulistano Robson Rubens, conhecido com ‘Tigrão’. “Recebemos um feedback positivo de Ishii, que entendeu que a música não trata desse ou daquele preso, apenas de uma pessoa comum que se surpreendeu ao ser abordado por ele”, disse Jabolinha. Battistoni alerta que a brincadeira não deve parar. “Temos outras ideias, não podemos parar com o humor. Vamos mirar na Lava Jato.”
Por que o japonês?
Para o Souza, o tema “é óbvio” porque “o japonês é uma figura emblemática, que inspira a indignação das pessoas”, disse, referindo-se a tudo o que tem vindo à tona com a Lava Jato. Além disso, “o japonês é a pessoa que associamos às prisões, porque ele sempre está nelas”.
Ishii ingressou na corporação em 1976. Em 2003, chegou a ser preso pela própria PF durante a Operação Sucuri, suspeito de integrar uma quadrilha que realizava contrabando na fronteira do Brasil com o Paraguai. Acusado de corrupção, Ishii chegou a ser expulso da PF e responde a processos criminal e civil. Ele foi reintegrado à corporação, que afirmou que ele é “um excelente profissional que goza da confiança” da PF.
Compositor
Souza, especificamente, começou a letrar em 2007, quando morava em São Paulo, na Vila Madalena. No bairro, frequentou o Grêmio Recreativo Social Cultural Escola de Samba Pérola Negra.
Depois disso, foi padrinho do Grêmio Recreativo Cultural Social Escola de Samba Império de Casa Verde e compôs para o Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira em um concurso de samba de terreiro.
Já em 2015, compôs o samba do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Dragões da Real, que pertence ao grupo especial de São Paulo, e da Sociedade Carnavalesca Morro da Casa Verde, do grupo de acesso paulista.
Letra
“Aí meu Deus, me dei mal
Bateu à minha porta
O Japonês da Federal!”
Dormia o sono dos justos
Raiava o dia, eram quase seis
Escutei um barulhão
Avistei o camburão
Abri a porta e o Japonês, então, falou:
– Vem pra cá!
Você ganhou uma viagem ao Paraná!
“Aí meu Deus, me dei mal
Bateu à minha porta
O Japonês da Federal!”
Com o coração na mão
Eu respondi: o senhor está errado!
Sou Trabalhador…
Não sou lobista, senador ou deputado!
FOTO: Gisele Pimenta / FramePhoto