Ainda é cedo para avaliar se terá êxito o protesto dos taxistas, organizado ontem em quatro capitais pela Abracomtaxi – Associação Brasileira das Associações e Cooperativas de Táxi, com grande adesão da categoria (mais de 5.000 participantes em São Paulo). Mas o resultado inicial, aparentemente, foi um tiro no pé. Do freio e não do acelerador.
Os taxistas consideram ilegal o transporte de passageiros por motoristas cadastrados no aplicativo Uber, que não têm licença do poder público para prestar o serviço. Mas o protesto, que afetou o trânsito em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba, e ganhou visibilidade na mídia, acabou por favorecer o inimigo.
Aumentaram em cinco vezes os downloads do Uber nesta quarta-feira, informa o jornal O Estado de S.Paulo.
“Em redes sociais como Twitter”, diz o caderno Link, “usuários brasileiros defenderam o Uber após notícias sobre as manifestações de taxistas. Alguns disseram que até então não conheciam o aplicativo, mas que fariam o download após os protestos desta quarta-feira.”
A companhia norte-americana enfrenta protestos semelhantes nos 55 países onde opera. Ela diz que “não é uma empresa de táxi, muito menos fornece este tipo de serviço, mas sim uma empresa de tecnologia que criou uma plataforma tecnológica que conecta motoristas parceiros particulares a usuários que buscam viagens seguras e eficientes”.
O Uber nega que seja um serviço ilegal, mas admite o vazio jurídico no caso. “Trazemos um modelo disruptivo e inovador para o mercado. Por isso, ainda não existe uma regulação específica para esta indústria chamada de ‘economia colaborativa’”.
Foto: Fernanda Carvalho / Fotos Públicas