Muito se fala sobre a reforma eleitoral, seus benefícios e malefícios para democracia. Eu, particularmente, acho essa reforma uma aberração, um ataque ao direito do cidadão à ampla divulgação das ideias e dos planos de governo dos candidatos, entre outras informações que fazem parte de uma eleição democrática.
Restringir o uso dos meios de comunicação não diminui custos. Pelo contrário, os custos podem até aumentar. A Câmara Federal legislou sem consultas e sem assessoria técnica mais ampla.
Por exemplo, foi mantida a resolução do TSE de 2004, que sempre gerou inúmeros problemas de interpretação nos TREs estaduais: “É vedado aos políticos, partidos e coligações (…) usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de alguma forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido político ou coligação, ou produzir ou veicular programa com esse efeito”.
Todos esses termos são genéricos, tecnicamente, e há anos a sua indefinição causa prejuízos aos custos de campanha, pois, como se sabe, em cada cabeça de juiz há uma sentença.
Muita coisa produzida tem que ser refeita, por interpretações de última hora promulgadas pelos tribunais. E nós, marqueteiros, temos que usar ferramentas e criatividade, para manter os candidatos dentro da lei, no momento da corrida pelo voto.
O novo regramento aprovado também coloca os candidatos sem mandato, ou iniciantes na carreira política, em grande desvantagem, na comparação com os candidatos com história política.
Uma equipe de profissionais de comunicação, realizando uma campanha apenas 10 dias mais curta, definitivamente não vai baratear em nada o processo eleitoral. Até porque os bons profissionais, que conhecem profundamente esses mecanismos e têm a capacidade de tornar o investimento eleitoral mais eficiente, são escassos no mercado atual.
Que os candidatos – e me refiro a todos – preparem os bolsos, caso essa reforma seja aprovada. Ficar em evidência vai custar caro.