A frase acima foi escrita pelo roqueiro canadense Neil Young, em sua página no Facebook. O motivo foi o uso da canção Rockin’ in the Free World pelo magnata Donald Trump, no evento de lançamento de sua pré-candidatura à presidência dos EUA, pelo Partido Republicano.
“A música é uma linguagem universal. Por isso, fico feliz que tantas pessoas com posições diversas se divirtam com minha música, mesmo que não compartilhemos das mesmas crenças”, diz Young.
O músico reclama de não ter sido consultado sobre o uso de sua canção no evento de Trump. Queixa-se também do uso indevido de uma imagem sua junto ao candidato. Ele diz que a foto foi tirada por ocasião de uma campanha para levantar fundos para o portal de música online PONO, de sua propriedade, e que foi utilizada no ato de campanha fora de contexto.
O episódio permitiu a Neil Young rasgar o verbo sobre a política norte-americana. Ele declarou que não gosta nem um pouco do atual sistema político dos EUA. Na sua visão, trata-se de uma democracia cada vez mais subjugada pelos interesses das grandes corporações, que amplia as desigualdades econômicas e que vem tomando decisões legislativas em favor dessas corporações e contra o povo.
Young observa que as corporações não tem sentimentos ou alma. Não dependem da água não contaminada, do ar limpo ou da comida saudável para sobreviver, e seu compromisso seria com o “fundo do poço”.
Esse discurso politizado não é novidade. Músico engajado, Neil Young cita no post do Facebook o seu novo trabalho, The Monsanto Years, que será lançado dia 29 deste mês. O álbum faz críticas diretas à gigante do setor agroindustrial e às pesquisas com alimentos transgênicos.
Young destaca, em especial, a campanha Vermont’s GMO-labeling law, Act 120, do estado norte-americano de Vermont, contra os interesses da indústria alimentícia. A campanha exige a descriminação do conteúdo transgênico nos rótulos das embalagens – exigência que foi recentemente derrubada no Brasil, pela Câmara Federal.
“Eu não acredito na desinformação veiculada pelas grandes corporações e seus trolls nas redes sociais”, explica o músico. “Eu também não acredito em políticos que estão arrecadando milhões destas coorporações. Eu acredito nas pessoas. Por isso, minha música é feita para pessoas e não para candidatos.”