Retorno do voto impresso é vitória do atraso

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Ao ressuscitar o voto impresso, o Congresso cometeu um grave erro, voltando ao passado. Na apreciação de vetos presidenciais nesta semana, foi derrubada a restrição de Dilma Rousseff à necessidade de um comprovante impresso do voto eletrônico aprovado num arremedo de reforma política.

Essa decisão é resultado de uma mentalidade atrasada, estimulada pela contestação da oposição ao resultado da eleição presidencial do ano passado. Contestar o sucesso da urna eletrônica só alimenta teoria conspiratória, porque o processo é seguro e elogiado internacionalmente.

O efeito será atrasar votações e aumentar custos. Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), nas próximas municipais, essa ideia de jerico custará quase R$ 2 bilhões e exigirá a impressão de mais de 200 milhões de votos em papel.

As urnas que elegeram Dilma também alçaram oposicionistas ao governo de Estados importantes, como São Paulo, por exemplo. A desconfiança como argumento para o voto impresso é o retrato de um Congresso que prestou desserviços ao país ao longo do ano.

Mais: é a vitória do atraso, do retrocesso. A atual classe política está disposta a priorizar a irrelevância. Apesar de ter enterrado a “pauta-bomba”, o atual Congresso é um dos piores que o país já teve, levando em conta os resultados que apresentou neste ano.

Votou uma reforma política que piorou as regras. Mas o STF (Supremo Tribunal Federal) arrumou a trapalhada e implantou uma mudança importante, que merece ser testada (o fim do financiamento de empresas a campanhas políticas).

Na economia, desarmou a “pauta-bomba” depois de ajudar a piorar as expectativas dos agentes econômicos. Na área social, há uma série de propostas que significam retrocesso nos direitos humanos em geral e na proteção de minorias em particular.

FOTO: Eraldo Peres/AP

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