Marcelo Freixo fará “escândalo” se for proibido de ir a debates

Cristian Klein informa:

 

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) é o candidato da esquerda mais bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto à Prefeitura do Rio, aparece em terceiro lugar, mas pode ficar de fora dos debates nas emissoras de rádio e TV por causa de uma entre várias novas regras de campanha.

 

De acordo com a reforma eleitoral aprovada no ano passado, apenas candidatos cujos partidos contam com mais de nove deputados federais têm direito assegurado de participar dos debates. O PSOL tem cinco. “Pretendo fazer um escândalo. Vou vender muito caro o meu silêncio”, avisa Freixo, que ficou em segundo lugar na eleição a prefeito em 2012, ao obter 28,15% dos votos, atrás dos 64,6% de Eduardo Paes.

 

Em 2014, Freixo reelegeu-se com a maior votação a deputado estadual, com 350 mil votos, bem acima dos 208 mil do ex-campeão da Assembleia Legislativa Wagner Montes (então do PSD, e hoje no PRB do senador Marcelo Crivella) e mais que o dobro dos 160 mil de Flávio Bolsonaro (então do PP, hoje PSC).

 

Freixo credita a mudança na legislação como algo feito sob medida pelo presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para lhe atingir. “Foi ele que operou, é óbvio. Ele é do Rio, onde o PMDB tem suas dificuldades de crescimento”, diz numa referência a Pedro Paulo, candidato de Paes, ambos correligionários de Cunha, de quem o PSOL é antagonista ideológico no plano regional e nacional.

 

Freixo calcula que terá apenas 15 segundos no agora reduzido programa eleitoral gratuito, cuja duração passará de 30 para 10 minutos. Os debates em rádio e TV, logo, estariam entre suas maiores oportunidades de ter visibilidade, numa campanha que também será de tiro curto, encolhida de 90 para 45 dias. Em suas contas, haverá um debate por semana em veículos de comunicação de massa.

 

O deputado lembra que a barreira de pertencer a partido com bancada acima de nove deputados – – antes era apenas um – pode ser contornada, como previsto na própria Lei 13.165, desde que haja um convite da emissora de rádio e TV e a aceitação de pelo menos dois terços dos adversários. “Vou criar pelo menos dois constrangimentos: à emissora que não fizer convite e aos adversários que não aceitarem, o que mostrará quem tem medo [de debater]”, afirma Freixo.

 

Os concorrentes, pelo menos por enquanto, não parecem muito dispostos a ceder. Pedro Paulo, que luta para sair do patamar de 5%, adianta que não concordaria com a participação. “Precisamos respeitar as leis. Vamos segui-la”, diz. Um concorrente que preferiu manter o anonimato também foi na mesma linha: “É difícil ter esse grau de generosidade. Em português claro: não. Lei é lei”, afirma. Na liderança da corrida municipal, Marcelo Crivella é mais benevolente, embora não garanta nada. “Pessoalmente [aceitaria] sim. Teria que consultar o partido”, diz.

 

 

Fonte: Valor Econômico

 

Foto: DCM

 

 

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