Danilo Palasio foi um dos mais bem sucedidos profissionais da comunicação política brasileira. Como tantos outros, entrou na atividade vindo do telejornalismo e tornou-se diretor-executivo da GW, empresa destacada no segmento.
No sábado, 28, partiu subitamente. Sem qualquer aviso prévio de problemas no coração, teve um infarto letal, durante a atividade física diária. Foi a segunda perda que o marketing político teve em São Paulo na mesma semana, depois da morte da fotógrafa Renata Castello Branco.
Amigos e colegas fizeram homenagens a Danilo Palasio nas redes sociais. MARQUETEIROS transcreve duas delas.
O JACARÉ DEU NO PÉ
Kico Gemael
1986. Nova direção na Fundação Padre Anchieta (Roberto Muylaert ), TV e Rádio Cultura (Roberto de Oliveira), mexida geral (Valdir Zwetsch, diretor geral de jornalismo).
A rádio era um cabide de emprego. Fizeram uma limpa, passaram o rodo nuns 300 – e distribuíram na TV os que valiam a pena.
Assumi o esporte e “ganhei um remanescente da rádio”. Um cara sério, meio jacuzão, que nunca tinha trabalhado em TV. Cacete, falta gente e chega um virgem….
Levei pra ilha pra mostrar o que era edição. Em duas semanas, editava como um mestre.
Puta jornalista, texto brilhante, ligeiro como um pistoleiro, com sacadas mágicas: enxergava mais que toda a equipe junta.
E a equipe era forte: Beto Macedo, Rosani Madeira, André Ribeiro, Eliseu Pacheco, Dermival Balbino, Zé Martins, entre outros. Como a iniciante Sandrinha Annemberg. Tinha também Gérson Araújo, Gurian, Volpi, Helvidio Matos.
Filho de toda a equipe, nasceu o Vitória, um programa de esporte como não tinha na TV. Esportes radicais, causos, histórias, literatura, música e gente, muita gente.
Todo mundo fazia tudo, mas o Jacuzão – que chamava todo mundo de Jacaré e, por isso, virou Jacaré -, tocava. Ali começou uma parceria pra vida.
Fui pra casa do Jacaré e ele veio pra minha. Amigos de contar tudo, de entender o olhar.
Um louco: fim do expediente na TV, ele pegava um carrinho, eu pegava outro e a gente invadia o arquivo de fitas. Fazíamos um estoque aleatório. E na madrugada, escondido, a gente operava máquinas de corte seco e editava fitas Umatic, pra ter o que por no ar.
O Jacaré fez coisas que até hoje ninguém fez na TV brasileira. Andamos pela Record com a Silvia Poppovic, depois TVT, onde ele ficou anos, e GW, onde assumiu a presidência e fez história no marketing eleitoral.
Entre TVT e GW, perdi as contas de quantos governadores ele ajudou a eleger.
Pois esse gênio de coração enorme levou um tombo do coração: foi o primeiro e último enfarto, durante uma caminhada neste sábado em Perdizes onde morava.
E já que ele não vai ouvir, eu conto: enchemos a cara na Praça do Pacaembu num sábado de chuva, depois de mais uma vitória do nosso time. Certa hora, ele olhou pro gramadão em descida. E foi: sentou lá em cima e desceu como uma criança.
No meio do caminho, atropelou um monte de merda. Ficou insuportável: bêbado e fedido. O único lugar que não tinha bosta era na cabeça. Nunca teve.
Ao Jacaré, batizado Danilo Palasio, obrigado por tudo. Beijo, até a próxima. Beijo pra Nicole, pra Cuca, pro Jé, pra Julia.
DANILO, NO SCRIPT E NO CORAÇÃO.
Woile Guimarães
Danilo Palasio. Mestre do script, das sínteses primorosas. Trinta segundos que saíam da redação da GW com sonoras de duas palavras, imagens já antevistas… mas não como em qualquer script: era o script do Danilo.
E lá saía a equipe, diretor, repórter e cinegrafista, com a página que lhes cabia, após ele dizer o quê e como queria.
No estúdio, no preview, ele comandava o passeio da câmera deslizando pelo trilho à procura do ângulo que sua sensibilidade já antevira. Fora do estúdio – como nessa foto de uma externa com o candidato Covas – era o mesmo Danilo meticuloso, de olho na cena, texto na prancheta ou na pastinha… e olha que o Covas era exigente.
Mas o Danilo era mais. Generoso, carinhoso e explosivo quando se lhe contrariavam a tarefa e fita ou chip vinham capengas…
Era um tal de “Volta lá!”. “Vamos refazer”. E no estúdio, “De novo!”, “De novo!”, com paciência, até sair ao gosto dele, perfeição às raias da tortura. Depois ele mergulhava na ilha de edição, e voltava com o sorriso matreiro da missão cumprida.
O coração matou nosso Danilo, aos 55 anos. Na Vila Alpina, domingo chuvoso, os amigos, família, parentes, um sofrimento de lágrimas saudosas.
É muita pouca vida vivida para preencher tanto espaço de gratidão e carinho, Jacaré – apelido carinhoso que ele, vitorioso, conquistou na difícil correnteza das redações.
Foto: Acervo Woile Guimarães.
Danilo Palasio está à direita, discutindo um script com Mario Covas; Woile, no centro da imagem.