A reforma eleitoral na arena dos gladiadores

Como Marqueteiros antecipou, o impasse venceu. O presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), teve que adiar a votação do parecer da Comissão Especial da Reforma Política, relatado pelo deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), seu correligionário e fã confesso (vide elogios no programa Roda Viva).

 

Cunha alega que o relatório não obterá consenso e ataca o relator que ele próprio escolheu. Disse à imprensa que “não é inteligente, politicamente, legislar sobre os mandatos do senadores; eles que decidam lá no Senado”. E indica que o projeto terá uma tramitação menos urgente: “Vamos trabalhar com mais calma; mais uma semana e votamos”.

 

Uma semana, portanto, é o tempo que o presidente da Câmara julga suficiente para impor ao país uma nova regulamentação eleitoral. Ou seja, do ponto de vista da transparência, do debate com a sociedade, o prazo disponível é de apenas sete dias, ou pouco mais, para a análise de uma proposta fundamental para o país e seu futuro.

 

Eduardo Cunha diz que “é preferível não votar este relatório e colocar em votação direto do plenário”, o que embute uma crítica evidente ao trabalho de seu pupilo e dos outros parlamentares da comissão. O relator rebate: “Tenho personalidade amadurecida e forte, e não me sinto pressionado por ninguém. O assunto de Cunha comigo é bala trocada”.

 

Nessa insólita divergência de partidários próximos, temos uma boa medida dos ânimos entre os congressistas, quanto ao debate da reforma política. Não há nenhum consenso, nenhum projeto predominante, nenhum rumo seguro.

 

A proposta será jogada ao Coliseu do plenário e os gladiadores se enfrentarão. Cunha, como certeza, conta votos até que eles sejam suficientes para aprovar algo. Uma proposta relevante se mostra cada dia mais impossível. E mesmo a “reforma possível” que foi pregada por Marcelo Castro dificilmente virá, pois não se trabalha uma reforma desse porte como estão fazendo, na base do tratoraço.

 

De novo no assunto, apenas a declaração do deputado Carlos Zaratini (PT-SP), propondo que seu partido se una à bandeira do financiamento misto proposto pelo PMDB e abra mão do financiamento exclusivamente público, antiga bandeira petista.

 

 

Foto: Ivan Maiguá

 

 

 

Sumário