Como os candidatos presidenciais americanos se amontoam no YouTube

Allee Manning e Jody Sieradzki relatam:

 

Direcione sua mente de volta aos primeiros dias da campanha eleitoral de 2016, sob a ótica do YouTube. Ted Cruz envolveu um cano de metralhadora em bacon. Lindsey Graham destruiu seu telefone móvel. Bobby Jindal (lembra dele?) participou de uma competição de flexões, com jovens vestindo camisetas com temas da administração democrata a serem combatidos. É uma boa perspectiva para uma campanha cheia de significados, enraizada em profunda discussão ideológica.

 

Num embate onde o principal candidato é uma “seção de comentários ambulante”, vestindo uma gravata vermelha e uma peruca, o papel seminal do YouTube nas estratégias de campanha não é nenhuma surpresa. Enquetes indicam o apoio do público, mas são os views do YouTube que, entre as dezenas de métricas sociais, estão nos permitindo calcular quem realmente segura a nossa atenção por mais tempo.

 

Mais uma vez é Donald Trump, o arauto populista do caos, quem está no topo da audiência do YouTube. O candidato republicano líder é o mais notório do grupo que o Vocativ analisou, mostrando, em media, quase 105 mil visualizações por post, em seu canal oficial.

 

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Media de visualizações por vídeo, nos canais oficiais do YouTube.

 

 

Depois de Trump, são os candidatos democratas que dominam a plataforma de vídeo, sendo que Hillary Clinton bate Sanders por 16 mil visualizações, em média, por vídeo. É de se suspeitar que as pessoas não estão realmente apreciando os vídeos de música aspiracional de Bernie.

 

Trump postou apenas 27 vídeos até agora, cerca de um quarto dos vídeos postados por Ben Carson, o segundo menos prolífico youtuber do grupo.

 

Hábil no uso da mídia como sempre, Trump mantém sua comunicação no estilo curto e grosso. O vídeo mais assistido de seu canal no YouTube (o tempo total de seu anúncio presidencial) é de quase uma hora de duração, mas os mais recentes têm menos de um minuto. Neles, Trump usa gestos dramáticos e frases de efeito simples, quando discute questões como temas militares e o “politicamente correto”, levando à produção de baixarias na seção de comentários. Coisas como “Vá se f*” ou “os imigrantes ilegais são escória.”

 

O terreno é pantanoso no ambiente do YouTube. Ted Cruz, o mais assustador tiozinho da América, criou alguns dos anúncios de campanha mais bizarros e terríveis, incluindo um rap no estilo “gangsta” e uma paródia de “Como Enlouquecer seu Chefe” chamada “É Bom Ser Um Clinton” (“It Feels Good to Be a Clinton”). Qualquer um que possa estimular, de forma convincente, crianças de seis anos de idade a esmagar uma casa de bonecas (mais de 350 mil views) está a caminho do estrelato no Oscar.

 

Marco Rubio, por sua vez, pode querer repensar a sua estratégia de campanha. Ainda que a sua equipe tenha produzido mais de 1.200 vídeos – quase 50 vezes mais do que Trump -, o canal  de Rubio tem a menor média de visitações.

 

Talvez ele devesse pedir umas dicas a Ben Carson, cujo esquete de baixo orçamento mostrando funcionários de campanha usando o livro de Clinton como calço de porta ou apoio de mesa conseguiu duas vezes e meia mais views do que o comercial mais popular de Rubio.

 

 

Fonte: Vocativ – 20/02/2016

 

Foto: tubefilter.com

 

 

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