Marketeiro? Num sou não…
Mando esse texto pra meu querido Priolli e Paulo de Tarso, amigos de sempre. Boa a iniciativa, um blog pra discutir os muros do ofício de quem mexe com marketing e comunicação eleitoral.
Avisei, não gosto do apelido ou carimbo, a alcunha que nos impuseram, (des)qualificando-nos, como “marketeiros”. Marketeiro me sugere embuste, enganação. Técnicos diabolicamente trabalhando para inventar candidatos e iludir eleitores.
Não me sinto assim. Não invento candidatos e, francamente, todas as vezes que trabalhei para um aspirante ao voto fraco, perdemos as eleições.
Acredito e esforço-me para compreender as técnicas que revelam o comportamento do voto. O que o eleitor prefere e principalmente o conjunto de razões para escolha de seus representantes. Isso passa longe dos antigos e ultrapassados raciocínios, de decalcar e imprimir nas campanhas apenas os atributos elencados nas velhas sessões de qualis, regadas a quibes e Coca-Cola, um palco perfeito para enunciados de “politicamente corretas “ teses , julgamentos; na prática, apenas dissimuladas e falsas atitudes, distantes do que acham para valer as famílias donas dos títulos.
Gostaria de saber se algum “marketeiro” esteve por trás da estratégia do Likud e da expressão firme de Netanyahu, defendendo atitudes contrárias ao que manifesta boa parte do mundo. Todos querem e acham lindo a paz. “Bibi” sustentou a guerra. Não admitiu reconhecer o estado Palestino e pronto.
Soube, as pesquisas não apontavam por aí. As qualis, muito menos. O experiente político salgou sua posição e, desse no que desse, arriscou seu prestígio e mandato. Ele, ou alguém que o assessorava, entrou na alma do eleitor e trouxe essa convergência. Vamos descobrir, dever de casa do blog, a história dessa campanha.
Não vou negar: embora essa não seja minha principal atividade, gosto de campanhas políticas. Sobretudo, gosto de analisá-las, ler e empreender pesquisas que clareiem caminhos, não necessariamente os óbvios.
Gosto mesmo de formular estratégias. Trabalho muito além de clipes e essas bobagens que até estagiários fazem. Gosto de descobrir e orientar novos talentos, e detesto trabalhar com medíocres, aqueles que todo ano eleitoral aparecem com seus indefectíveis blazers e camisas em gola “V”, parecendo que desembarcaram de outro planeta com a descoberta da pólvora.
Estes sim, são apenas “marketeiros”.