Os gráficos seguintes, publicados por Estadão Dados, ilustram a evolução dos gastos com o fundo partidário desde 1995.
Eles mostram um expressivo salto de 2014 para 2015, indicando que os partidos foram buscar no financiamento público os recursos que escasseiam nas contribuições privadas.
É um reflexo da escandalização da política e do temor dos empresários de se verem expostos, no clima de exaltação que contagia o país.
Gastos privados, dívidas públicas
O Fundo Partidário foi criado por lei para custear a manutenção dos partidos políticos no País. Ele tem duas fontes de recursos: o Orçamento da União (ou seja, impostos e contribuições pagos pela sociedade) e, em menor escala, multas aplicadas pelo TSE a eleitores e aos próprios partidos.
O Estadão Dados somou esses dois valores desde 1995 e corrigiu o resultado pela inflação no período. O resultado mostra que o aumento do ano passado para este é sem precedentes na história recente do País: 129%.
Desembolso por eleitor também explode
Se for analisado o gasto público total com o fundo proporcionalmente à quantidade de eleitores, a situação é parecida. O salto entre 2014 e 2015 é sem precedentes, justamente no ano em que o Orçamento federal enfrenta o maior ajuste fiscal já realizado em mais de uma década e que não poupou nem os recursos destinados à educação e às áreas sociais.
De acordo com a Lei dos Partidos Políticos, que entrou em vigor em 1995, a dotação orçamentária mínima do fundo deve ser de R$ 1,25 por eleitor, em valores atualizados. No Orçamento de 2015, esse repasse é quase cinco vezes maior: R$ 6,05 por eleitor.

