Como diria minha avó, podem tirar o cavalinho da chuva! Comunicação política sem a contribuição de marqueteiros seria intragável. E não se trata de falsa modéstia, até porque os marqueteiros nada mais são do que profissionais de comunicação, em sua maioria jornalistas ou publicitários, com expertise para traduzir de forma criativa e amigável as mensagens de campanha de um candidato ou de um governo.
Imagine a divulgação de um produto sem a criação publicitária. Seria o mesmo que fazer propaganda com o manual de instrução do produto. Simplesmente não despertaria a curiosidade de ninguém. Fazendo um paralelo com o nosso tema, basta olhar com atenção para o perfil de nossos políticos e a performance dos nossos representantes nas diversas casas legislativas.
Quantos têm propostas estruturadas, de fato? Quantos conseguem verbalizar e expressar ideias com um mínimo de clareza para o público? Quantos têm noção da melhor imagem a ser transmitida para o eleitor? Quantos políticos conseguem se comunicar, de fato, com seu eleitorado durante o mandato? Uma minoria, que naturalmente se transforma em “fonte de informação” dos meios de comunicação. Ou seja: sempre os mesmos.
Esse gap não é exclusivo dos políticos, as instituições em geral padecem do mesmo mal. A comunicação política tem que ser entendida de forma mais abrangente, envolvendo todos os meios on e off line. Muita gente confunde esse trabalho com propaganda, quando na verdade ela é apenas parte do processo, que inclui uma série de ações que a precedem, como pesquisa, inteligência competitiva, análise estratégica, definição de linhas de comunicação, até chegar nas peças de comunicação propriamente ditas.
Por essas e por outras é que os marqueteiros devem ser ouvidos quando se trata de Reforma Política, pois eles conhecem o melhor e o pior desse jogo.
Outro erro comum é pensar no marqueteiro como profissional de ações pontuais, quando na verdade ele poderia ser muito mais útil antes e depois das campanhas. No Brasil, uma campanha eleitoral bem sucedida não é garantia de uma boa gestão e vice-versa. Os exemplos começam por Brasília e se espalham por estados e municípios de todo país.
E por que? Porque tradicionalmente o trabalho do marqueteiro não tem continuidade após a campanha. Ele volta pra casa e começa a bater perna em busca de novos clientes, para pagar as contas do dia-a-dia.
O país está diante de um desafio muito mais amplo e complexo: o resgate da credibilidade da classe política, incluindo nessa cesta também os governos. E isso não vai acontecer por geração espontânea, por mais democráticas que sejam as leis e bem intencionados que sejam os protagonistas. Os marqueteiros podem e devem contribuir muito nesse processo, pois todos queremos o mesmo: políticos qualificados e governos confiáveis, com leis justas e metas objetivas, para fazer o país crescer com segurança e justiça social.
Enquanto isso não acontece, quem mais se aproveita deste cenário são os meios de comunicação, que usam esses fatos para mostrar a fragilidade do sistema. Uma pena.
O filósofo Mário Sérgio Cortella definiu bem este momento: ‘Estamos vivendo não o auge da corrupção, mas sim o início da limpeza’. Limpeza deflagrada pelo Governo Federal, que deveria estar capitalizando os méritos deste processo. Deveria estar liderando uma campanha nacional sobre o tema, sem se sentir refém dos meios de comunicação porque membros do PT estão arrolados nos processos.
Ora, todos os partidos estão envolvidos em maior ou menor grau e tirar os maus políticos de cena é saudável para todos os partidos. O Governo tem que ter o protagonismo e se posicionar acima disso. E os marqueteiros podem ajudar, e muito!
Foto: Willard Bridgham / Todaysphoto