Que saudades da Luiza! Essa é a frase que melhor expressa meu sentimento nos tempos que vivemos hoje.
Foi no governo Luiza Erundina que realizamos a primeira concorrência pública para a contratação de agência de publicidade. Até então, essas contratações eram feitas por “notória especialização”.
Como seu assessor especial de comunicação, ao assumir esse cargo na Prefeitura de São Paulo, sugeri a Luiza que fizéssemos uma concorrência para contratar uma agência de publicidade em 1990. A ideia foi de Ricardo Kotscho, em uma conversa que tivemos antes de eu aceitar esse cargo.
Luiza aceitou de pronto. E nomeou a comissão de licitação: eu, José Eduardo Martins Cardoso, então seu Secretário de Governo, e a procuradora Nodete Alves, então ligada ao vereador do PSDB, Arnaldo Madeira.
É como disse Vera Aldrighi em seu artigo: quando decidimos que a MPM ganharia a concorrência, realmente ninguém do mercado acreditou.
Lembro bem do grito de alegria e surpresa da Vera, quando anunciei o resultado da concorrência, em uma sala do prédio da Prefeitura, no Ibirapuera. Como a MPM, que havia criado o slogan da ditadura – Brasil, Ame-o ou Deixe-o! – ganharia essa concorrência da primeira prefeitura petista em São Paulo?
Ganhou porque era a maior agência brasileira na época e a com mais experiência em trabalhar para o poder público. Simples assim! Como tudo que envolvia o governo Luiza Erundina, as decisões eram tomadas por critérios técnicos. Nada mais influenciava uma concorrência.
Que saudades da Luiza. Naquele tempo dava para acreditar, não é Vera?