Nesta última terça feira, dia 13, aconteceu em Las Vegas, estado de Nevada nos EUA, o primeiro debate dos pré candidatos do Partido Democrata à presidência da república. Diferente daqui, onde as convenções e disputas internas são eventos com pouca mídia e normalmente de interesse restrito à militantes ou ao noticiário especializado, nos EUA a corrida interna dos dois grandes partidos mobiliza tempo, dinheiro e muita atenção.
Segundo levantamento feito jornalista C. Robert Gibson do portal US Uncut a performance de Bernie Sanders foi a mais elogiada pelo público nas redes sociais, portais e internet em geral. No entanto, quem procurar notícias nas grandes redes de mídia americana achará uma opinião distinta. Segundo diversos especialistas consultados, Hillary teria saído vencedora do debate. O site especializado em política Politico, por exemplo, noticiou a boa impressão que Hillary teria deixado inclusive nos analistas do partido adversário, o Republicano.
“Hillary foi George Foreman hoje a noite. Ninguém conseguiu se quer encostar nela” comentou o analista Frank Luntz. Para Ari Fleischer, ex secretário de imprensa de George W. Bush durante seus mandatos a frente da Casa Branca Hillary também causou boa impressão: “Como debatedora ela se saiu bem. Estava Confortável, confiante e articulada.
Já as pesquisas da própria CNN, emissora que realizou o debate, indicavam uma preferência dos espectadores por Bernie Sanders. 85% das pessoas que respondeu à enquete no site da CNN preferiram o desempenho do Senador de Vermont. Dois grupos de eleitores selecionados pela CNN para uma análise qualitativa do debate (um grupo de indecisos do Estado de Nevada e um de eleitores Democratas na Flórida) preferiram Sanders a Hillary.
Segundo as informações deC. Robert Gibson, o site US News and World Reporta lançou uma enquete no facebook onde 82% dos entrevistados preferiu Sanders a Clinton. No site da revista TIME uma outra enquete revelou que 74% dos que responderam ao teste preferiram o desempenho do Senador. Durante o debate, Sanders teve seu nome Twittado 407.000 vezes ante 25.475 de Clinton. O Google também revelou que Sanders foi o candidato mais pesquisado naquela noite, antes, durante e depois do debate.

Para C. Robert Gibson, a diferença de opinião entre as enquetes com o público e os especialistas consultados pela emissora revelam uma preferência, dos analistas e das empresas de comunicação, pela Senadora Hillary Clinton. Um dos argumentos usados por Gibson é a própria lista de doações à campanha de Hillary que contou com uma ajudinha de 500.000 mil dólares do grupo Time Warner, dono da rede de TV CNN.
Gibson vai mais longe e afirma que a preferência por Hillary poderia explicar também porque a CNN retirou do ar as enquetes que indicavam a vitória de Sanders e postou em seu portal artigos enaltecendo a postura da candidata no debate.

Mesmo assim, a sabedoria popular ensina que treino é treino e jogo é jogo. Assim, ser “vencedor” num debate de tv não significa que na prática qualquer um dos dois pré candidatos esteja mais perto da nomeação para a corrida presidencial. Porém, a discussão ganha peso entre os eleitores democratas e também entre os curiosos observadores Republicanos, uma vez que a candidatura do Senador Bernie Sanders está de fato incomodando as pretenções eleitorais de Hillary Clinton.
A disputa está polarizada entre os dois pré candidatos. Os demais nomes que concorrem pelos democratas – o ex governador de Rhode Island, Lincoln Chaffe, O ex governador de Maryland, marvin O’Malley e o ex Sanador por Virgína, Jim Web – parecem estar cada vez mais fora do páreo. Neste cenário, os dois pré candidatos, a imprensa e os eleitores passam a direcionar suas estratégias.
Um exemplo disso foi a postura de Hillary durante suas intervenções no debate transmitido pela CNN, frisando sempre sua experiência administrativa e capacidade de firmar acordos e realizar projetos. A senadora tem assumido como slogan a frase I’m a progressive, but a progressive who get things done (Eu sou progressista, mas uma progressista que faz as coisas acontecerem). A frase é uma menção velada ao opositor Sanders, tido pela mídia especializada como um radical de esquerda que propõe coisas pouco factíveis.
Sanders, por sua vez, tem usado muito dos discursos de críticas ao sistema financeiro e as mobilizações populares em sua linha de argumentação. Seu mote de campanha – That’s How we’re going to take congress again (É assim que vamos retomar o Congresso) também é uma cutucada a sua principal opositora. A campanha de Clinton conta com investimentos milionários de grandes corporações, bancos, firmas de investimento. Nomes famosos no estopim da crise econômica de 2008 como o grupo J. P. Morgan estão entre os doadores da Campanha de Hillary.
Enquanto isso, Bernie Sanders tem comemorado em suas redes sociais o fato de que sua campanha é financiada pelos chamados pequenos doadores. Em seus discursos , Sanders tem atacado duramente os representantes do sistema financeiro e Wall Street, que ficaram conhecidos pela esquerda americana como o grupo do 1%. O nome é uma referência ao fato de que as principais fortunas e empresas do país se concentram em apenas 1% de sua população. Durante os protesto que se formaram após a crise de 2008 – com destaque para os movimentos de ocupação – a esquerda americana dentro e fora do partido Democrático vem discutindo a influência do poder econômico nas eleições, no controle da política no país e sua responsabilidade pela crise econômica que a sociedade americana atravessa.

É justamente na relação entre empresas, financiamento e política que aparecem as grandes diferenças dos dois pré Candidatos dos Democratas. Nos estados Unidos todo tipo de financiamento privado é permitido. Os pequenos doadores são indivíduos que doam até 200 dólares, mas as pessoas físicas estão liberadas a doar até 2,5 mil dólares a um candidato ou 30 mil dólares a um comitê de ação política. Estes comitês são fundos mistos, de vários doadores, pessoas físicas ou mesmo empresas podem fazer parte dos comitês.
Em 2010 a suprema corte americana liberou também os super comitês, forma pela qual um número ilimitado de pessoas e ou empresas podem doar fundos ilimitados para campanhas políticas. Todos os doadores que contribuem com mais de 200 dólares devem ter seus nomes declarados pelos partidos ou políticos beneficiados. Todas as doações são divulgadas e monitoradas pelo FEC – sigla para Comissão Eleitoral Federal – órgão ligado ao governo do país.
Assista aqui o debate dos democratas na íntegra: