O advogado e professor Luiz Edson Fachin “rompeu com a cartilha de silêncio e discrição” seguida há anos pelos juristas que concorreram antes dele a uma vaga Supremo Tribunal Federal, informa o jornal Folha de S.Paulo. “Não há relato de outro indicado que tenha feito vídeos e criado um site para defender sua nomeação, nem que tenha buscado contato com líderes religiosos para desmentir boatos sobre sua trajetória”, diz a repórter Daniela Lima, em matéria publicada hoje.
Indicado pela presidente Dilma Rousseff para suceder Joaquim Barbosa, oito meses depois da renúncia do ministro ao cargo no STF, Fachin foi sabatinado pelos senadores por onze horas na semana passada. Segundo a Folha, outros ministros do STF buscaram ajuda de assessores para se preparar para a sabatina, “mas nunca alguém mobilizou uma equipe tão grande como a de Fachin”.
O jornal aponta algumas “regras de ouro” para o comportamento de indicados ao STF : nunca se deixar ser chamado de ministro antes da nomeação, não conceder entrevistas antes da posse e mostrar respeito por ritos e protocolos.
A Folha relata que Fachin esteve não só com os senadores, mas também com líderes religiosos. Falou com d. Sérgio da Rocha, presidente da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), e com igrejas evangélicas. O pastor Silas Malafaia e os bispos Robson e Lúcia Rodovalho teriam sido visitados.
Conforme a reportagem, Fachin contratou em abril a assessoria da F7 Comunicação, empresa do jornalista Samuel Figueiredo. Recrutou também um escritório para monitorar menções ao seu nome nas redes sociais, e um designer para fazer um site de apoio. O jornalista Gustavo Krieger, um dos responsáveis pela comunicação da campanha presidencial do senador Aécio Neves (PSDB), no ano passado, foi igualmente mobilizado.
Samuel Figueiredo, que já havia trabalhado para um indicado ao Supremo, o ministro Luiz Fux, disse à Folha que o escritório da família Fachin pagou por seus serviços, mas negou que tenha sido uma cifra de centenas de milhares de reais. Uma pessoa com acesso à equipe de Fachin informou ao jornal que o custo da campanha deve ficar em menos de R$ 100 mil.
Fachin enfrentou 10 horas de treinamento, apenas para a sabatina que enfrentou no Senado – a mais longa dos últimos 20 anos. Foi instruído a ser didático, paciente, respeitoso e polido, além de evitar palavras empoladas ou o jargão jurídico.
Uma campanha mobilizou amigos e aliados de Fachin, para postarem apoios nas redes sociais e enviarem mensagens aos senadores. O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) confirmou na sabatina que, nos dias anteriores, recebeu inúmeras mensagens do meio jurídico, pedindo a aprovação de Fachin.
No dia da arguição, segundo a Folha, a equipe que monitora as menções ao nome do advogado nas redes registrou 110 mil citações a ele. “O estudo mostrava que o número era superior aos registrados pela presidente Dilma e por Aécio no dia do lançamento de suas candidaturas presidenciais, em 2014”, diz o jornal.
O plenário do Senado deve votar a indicação de Luiz Edson Fachin nesta terça-feira (19).