Nos anos 1970, os militares brasileiros foram muito populares. Seus projetos de comunicação eram de pensamento único, produzidos num ambiente de censura, onde não havia o contraditório. Os militares, bem assessorados pelos norte-americanos, produziram ações de comunicação com ótimos resultados.
Funcionaram a ponto do General Emílio Médici, o terceiro ditador dos cinco que nos foram impostos, ser ovacionado no Maracanã lotado, após a Copa de 70. Nem Lula conseguiu isso. Aliás, em jogos de futebol tem sido vaiado, desde 1989.
Em determinado momento, todos os jornais publicam que o General Figueiredo (o quinto ditador), ao ser perguntado sobre a necessidade de realizar eleições para presidência, respondeu: “Para que eleições? Nós estamos muito bem avaliados nas pesquisas”.
Agora sofremos o movimento inverso. O político mal avaliado – em qualquer nível, de vereador a presidente – é instado a deixar o cargo, em razão de sua má avaliação. Como se pontos de pesquisa e votos fossem a mesma coisa. É uma situação clássica, na verdade. A baixa avaliação sempre foi grande munição para adversários, que obviamente a usam.
Mas todos sabem que governar apenas de olho nos números de avaliação é não governar, pois o trabalho de gerir a coisa pública muitas vezes requer decisões que desagradam a opinião pública, ou são noticiadas de forma a desagradar.
Neste momento, boa parte de mundo ainda enfrenta a ressaca da crise financeira de 2008. Governantes são mal avaliados em muitos países, onde a população repudia os remédios que foram utilizados. Mas ninguém fala em descumprir o calendário eleitoral.
Nas democracias ocidentais maduras, as avaliações de pesquisas, altas ou baixas, não são admitidas como elemento para determinar a continuidade, nem, muito menos, a interrupção de governos. Mandatários eleitos só são impedidos quando cometem crime. E, nesses casos, não deve haver mesmo nenhum tipo de prurido. O que a lei determina, para casos de crimes comprovadamente praticados, deve ser aplicado.
Institutos de pesquisas sérios, tecnicamente confiáveis, sempre existirão e a informação que trazem é fundamental para o país. Mas a “democracia das pesquisas”, como pregada pelo General Figueiredo, jamais substituirá a do voto. Pelo menos é isso que esperamos.
FOTO: Carlos Namba/DedocEdAbril