Foi ao ar ontem a noite (28) a propaganda partidária do PSDB. A inserção, garantida pela lei 9.096/95 para transmissão em cadeia de rádio e televisão em todo país, é o segundo filme do partido neste ano. O PSDB mudou o tom relação à primeira mensagem, mas continuou bastante crítico a presidente em sua propaganda. Dilma é, por sinal, a personagem principal da peça tucana, onde todas as falas giraram em torno da crise, das ações da presidente e de críticas ao Partido dos Trabalhadores.
O formato do filme lembrou bastante os filmes de campanha, intercalando peças criativas, clips, passagens com apresentadores e depoimentos das grandes figuras do PSDB de São Paulo e do Senador e ex candidato a presidência, Aécio Neves.
É uma cena de pessoas mascaradas, com imagens de Dilma que abre o filme. Eles representam os eleitores da presidente que, segundo o texto da propaganda, foram enganados por promessas falsas. Este é o argumente central do filme, que se repetirá nas cenas seguintes. Um governo mentiroso, que traiu seus eleitores, que enganou a todos. Depoimentos de duas senhoras, uma de Recife e outra do Rio de Janeiro, são recursos para dar realismo aquilo que já foi dramatizado com as máscaras.
O filme procura reproduzir aquilo que as pesquisas de tem indicado. A peça também parece concordar, em grande parte, com os comentários contra o governo federal e as críticas que se proliferam nas redes sociais.
Nessa linha, vê-se as falas do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin – “O Brasil vive hoje uma das piores crises de sua história, e o governo do PT escolheu o pior caminho para enfrentá-la. Aumentou os impostos e os juros, piorando ainda mais o drama do desemprego” – referindo-se a recente tentativa do governo de reestabelecer a CPMF. O senador José Serra (SP), relembra a eleição em tom de voz da consciência – “Nós avisamos, ‘está entrando água no barco, pode afundar’, mas o PT se fez de surdo e não cuidou de prevenir a crise. Só pensou em ganhar a reeleição. Agora, o governo Dilma está com água na altura do nariz”.
Já ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso completou dizendo que “está na hora da presidente ter grandeza e pensar no que é melhor para o Brasil, e não para o PT”.
Coube ao Senador Aécio Neves, fazer as falas de esperança e mais propositivas. Ele indicou as saídas que o partido propõe, enfatizando não estarem contra o governo, mas sim contra às medidas erradas que vem sendo tomadas. Disse ainda que o PSDB pretende lutar dentro das regras democráticas e que o partido já tiroiu o Brasil da crise uma vez e que sabe o que deve ser feito para vencer os desafios. É o momento em que o filme deixa o tom negativo para o positivo.
Na mesma direção, de se colocar como alternativas à crise, o filme mostra também um simpático panelaço. Uma forma de identificar o partido com os movimentos que tem ganhado às ruas e que tem contado com as lideranças do PSDB para mobilizar a população. Ao som do hino nacional, resgata alguns dos famosos versos da composição de Osório Duque Estrada que tem marcado as passeatas contra o governo federal – verás que um filho teu não foge luta.
No final da peça, há uma tentativa de inverter o discurso do governo, que acusa o PSDB e demais partidos de oposição de estarem dando um golpe na presente. O locutor, compara situações da vida cotidiana, onde as pessoas são enganadas por alguém mal intencionado às promessas que Dilma teria feito a seus eleitores. Pergunta-se então: Isto é ou não é um verdadeiro golpe? Sem resposta, fica o incômodo da comparação. É mais um recurso da linguagem de campanhas que surge na peça tucana.
Confira o filme todo aqui: