Em tempos dos “I”s tudo e dos smartphones, escrever sobre marketing politico é um desafio do tamanho da velocidade com que a comunicação entre as pessoas vem ocorrendo nos últimos anos.
A cada segundo, a cada minuto, a cada hora ocorre algo de relevante no globo terrestre que é rapidamente compartilhado, curtido, visto e revisto por milhões de pessoas a milhares de quilômetros de distância.
Um avião cai em Taipei, Taiwan, alguém em um viaduto registra no celular e minutos depois, no outro lado do mundo, as redes sociais apresentam o fato, antes mesmo da polícia e dos bombeiros chegarem para resgatar as vítimas!
A aldeia se tornou global e para um homem público sobreviver é necessário ter a consciência de que esse pequeno aparelho nas mãos das pessoas é uma poderosa arma para construir os destruir uma imagem pública, quase que na velocidade da luz.
A contundente cena do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, sendo xingado em um hospital ganhou as redes sociais e virou matéria nas edições impressas dos jornais. Um fala presidencial leva milhares de brasileiros a bater panelas, numa convocação originada nas redes sociais e nos zap-zap dos celulares.
Nesse contexto, o marketing politico torna-se a soma de todos esses fatores, de toda essa nova realidade digital que obriga a todos nós – profissionais da comunicação – a repensar conceitos e práticas.
Nos dias de hoje, não basta o politico ter o seu partido, dominar seu cartório eleitoral e dispor de alianças e de um bom tempo de televisão ancorado em “marqueteiros” competentes.
Sua vida pessoal, sua ida ao shopping, como dirige o seu carro, como se comporta em um elevador, como trata as pessoas nas ruas está sendo monitorado de maneira permanente e definitiva. Qualquer vacilo pode ser mortal.
A construção de um bom nome para uma disputa eleitoral não passa apenas pela sua inserção no meio politico, na sua história politica pregressa e nem por sua capacidade de alavancar recursos financeiros para sua campanha eleitoral.
É claro que suas alianças partidárias, o tempo de televisão, seu plano de governo são importantes para a disputa eleitoral, mas não são mais os fatores determinantes na conquista dos eleitores.
As redes sociais, a presença do político nelas, a maneira e o conteúdo de como apresenta suas ideias tornaram-se um fator predominante no sucesso de sua jornada.
Ainda prevalece sua intuição, seu senso de observação do cenário político, o somatório de forças que consegue aglutinar, mas tudo se mostrará ineficaz se ele não voltar seus olhos para as redes sociais e para seu comportamento no cotidiano de sua vida.
A vida digital, hoje, é o todo, é o tudo na vida de um homem público. Twitar, postar na fan page, dialogar com as pessoas, ouvir criticas e rebater com argumentos são essenciais no que se espera de um bom “marketing politico”.
Há de se pensar, sempre, de que a postura pública do político – e não apenas suas ideias e propostas – prevalecerão nesse mundo digital, nessa aldeia globalizada em que ninguém mais domina sua própria privacidade.
Tudo é monitorado, como George Orwell previu com o seu “Big Brother”. Qualquer vacilo, qualquer atitude infeliz pode destruir toda uma estratégia de marketing político, numa velocidade que torna o episódio irreversível.
Não há mais monólogo do político e sim uma interação permanente com a população, mesmo que não saibamos, mesmo que não percebamos.
Hoje, todos nós somos um jornal, uma rádio, um telejornal ambulante, com máquina fotográfica, filmadora e um teclado linkado na rede mundial.
O marketing político sugerido a um homem público é esse: cuide de sua vida e de seus gestos porque as câmeras de vigilância, os celulares e smartphones se tornaram o maior propagador de sua vida real que chegará ao eleitor. Na velocidade da luz e com a força destruidora de um raio.
Imagem: Charis Tsevis / Flickr