Jurandir Craveiro informa no Blog do Jura:
Palavras do mais brilhante e controverso líder político e estrategista do Reino Unido, Sir Winston Churchill. Lembrei-me dele porque, nesse fim de semana, foram comemorados os 70 anos do fim da II Guerra Mundial.
As festividades pela derrota do nazismo e dos países do Eixo – Alemanha, Itália e Japão – ocorreram principalmente na Europa, EUA e Rússia. Foram tímidas no Brasil.
P
rimeiro-Ministro entre 1940 e 1945, Churchill era também oficial do exército, historiador e escritor. Publicou a “História da Segunda Guerra Mundial”, em oito volumes. Ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1953, por sua “maestria na descrição histórica e biográfica, assim como brilhante oratória em defesa dos valores humanos elevados.”
Fui visitar o Winston Churchill Center e fiquei com a impressão de que vários dos seus aforismas e pensamentos, alguns formulados na primeira metade do século passado, valem para nós publicitários, ainda hoje.
A começar desse magnífico toque: “Por mais linda que seja a estratégia, você deveria olhar os resultados, eventualmente.”
De enfrentar obstáculos e vencer concorrentes, Churchill sabia muito, como estrategista que se provou excelente ao longo da história.

Mas ele evoca também um fenômeno mais mundano, comum aos planos e briefs de comunicação, infelizmente: “Este relatório, por seu próprio comprimento, se defende do risco de ser lido.”
Senhor não só da perspicácia, como também do mais fino e contundente humor britânico.
Aliás, uma das citações dele me lembrou um criativo, amigo querido: “Estou sempre pronto para aprender, embora nem sempre goste de ser ensinado.”
A exortação seguinte é ainda mais pertinente – ou aderente, como diríamos no jargão atual – ao modus operandi dos publicitários.
Sabemos o quanto as agências exigem de trabalho extra, além do tempo regulamentar. Talento e inteligência não bastam, é preciso ralar. Consolemo-nos. Em tempos de guerra isso é feijão com arroz.
“O esforço continuado – não a força ou a inteligência – é a chave para destravar o nosso potencial.”
Churchill se referia ao denodo e à perseverança do esforço inglês ante o domínio alemão no continente europeu e o bombardeio de Londres.
Aliás, recomendo a leitura do artigo do Jânio de Freitas publicado hoje : “História de crimes e mentiras“. Ele conta que, durante a discussão sobre um tribunal para os crimes dos chefes nazistas, o Primeiro-Ministro usou de uma frase de extrema franqueza: “Passamos pelo risco de lá estarmos nós.”
Daí eu me lembro de quantas agências trabalharam e trabalham com contas do governo, qualquer governo, e me pergunto: é possível isso no Brasil sem haver compensação, seja pessoal ou partidária? Devem estar olhando o que acontece com a Borghierh Lowe no caso Lava Jato e repetindo a frase de Churchill: “Passamos pelo risco de lá estarmos nós.”
Por fim, duas pérolas, sabidas por nós que cuidamos de marcas, marketing e propaganda:
“Devemos nos acautelar das inovações desnecessárias, especialmente quando guiadas pela lógica.”
“Atitude é uma coisa pequena que faz uma grande diferença.”
Foto: Canada Science and Technology Museum / Flickr