Luiz Weis comenta:
Tendo lançado ao pântano o direito da sociedade de reeleger o presidente, governadores e prefeitos – apenas para fazer andar mais depressa a fila do acesso ao poder –, ontem os políticos pelo menos pouparam o país do pior: a unificação das eleições para o Executivo e o Legislativo.
A proposta – uma espécie de cláusula de barreira para a ida dos cidadãos às urnas a cada dois anos – teve apenas 220 votos favoráveis, 88 a menos do que o necessário em casos de reforma constitucional.
Os mandatos serão de cinco anos, mas os mandatários não serão eleitos de uma vez só. Foi mantida a norma de votações separadas para prefeito e vereadores.
O novo sistema entrará em vigor com as eleições municipais de 2020 – depois, portanto, da rodada eleitoral de 2016, cujos vencedores serão os últimos a ocupar suas cadeiras por quatro anos.
Idem para o presidente, governadores e deputados a serem eleitos em 2018.
Todas as medidas de reforma políticas terão de passar por uma segunda votação na Câmara e outras duas no Senado – onde pode prevalecer o mandato de 10 anos para os seus membros futuros.
De qualquer forma, perto das enormidades que já foram aprovadas – além do fim da reeleição, a manutenção das contribuições eleitorais de empresas e das alianças partidárias em eleições proporcionais – a assincronia dos mandatos é uma surpreendente flor do lodo.
LUIZ WEIS É JORNALISTA. REPRODUZIDO DE SEU PERFIL NO FACEBOOK.