Campanha nas redes sociais, o novo desafio eleitoral

Afirmar que as redes sociais estão crescendo e que a sua importância é cada vez maior, principalmente para a política, seria repetitivo e enfadonho. Seria chover no molhado. Mas o fato é que essas ferramentas tão modernas, exclusivas dos jovens em um passado recente, fazem parte do cotidiano de cada vez mais pessoas aqui no Brasil.

 

Na eleição do ano passado, houve uma forte alavancagem nas campanhas digitais dos candidatos, assim como nas de seus militantes e apoiadores. As discussões sobre temas políticos no ambiente digital tiveram um grande fomento, ainda que sem muito embasamento teórico, e seguem firmes até hoje.

 

Mas, apesar desse importante crescimento, não podemos negar que ainda estamos milhas e milhas distantes dos norte-americanos, que executam com maestria todas as ações online, tanto de pré-campanhas como de campanhas e mandatos, e até mesmo na captação de recursos para os seus financiamentos – tema que vem dando o que falar por aqui.

 

No final do mês passado, a presidente Dilma Rousseff vetou o inciso da lei da minirreforma eleitoral que autoriza as doações empresariais às campanhas. Após consultar o Ministério da Justiça e a Advocacia-Geral da União, ela tomou a decisão, assegurando que aquelas contribuições entram em confronto com “a igualdade política e os princípios republicano e democrático, como decidiu o Supremo Tribunal Federal”.

 

Resta agora, então, imaginarmos quais serão as novas estratégias de candidatos e partidos, para angariar os investimentos necessários ao próximo período eleitoral.

 

Recentemente, o Twitter disponibilizou – nos Estados Unidos – um botão que permite ao usuário fazer doações ao seu candidato. Esta é mais uma opção para doações, já que os candidatos podem escolher entre o financiamento privado, com doações individuais ou através dos Comitês de Ação Política (PACs); o financiamento público, desde que atestem alguns pré-requisitos; ou mesmo o autofinanciamento. Todos supervisionados por uma agência federal independente, a Comissão Eleitoral Federal (FEC).

 

Vale lembrar que os EUA possuem uma regulamentação muito rigorosa sobre financiamento, que entrou em vigor após o Escândalo Watergate, nos anos 70.

 

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O Twitter implementou um botão para Doações nos Estados Unidos. Foto: Reprodução.

 

 

Agora, voltando ao Brasil e mirando o pleito de 2016, certamente podemos esperar uma campanha focada nas mídias sociais. Entre as opções já conhecidas (Facebook, Twitter, Instagram e Youtube), destaca-se a inclusão do Whatsapp, mesmo que não se trate exatamente de uma rede social.

 

A ferramenta, que pode ser utilizada por telefones celulares e também por computadores de mesa, é uma forma rápida e fácil de trocar informações. Desta maneira, sua utilização para disseminar conteúdos políticos cresce constantemente.

 

O grande desafio, no entanto, continua sendo encontrar uma maneira de não “pregar para convertidos”. Ou seja, definir um ponto de equilíbrio e fazer com que as informações se transformem em novos votos, ou mesmo que possam proporcionar alguma reflexão ao eleitor.

 

Ainda não se pode afirmar que existe uma fórmula 100% assertiva e, por isso, as próximas eleições, possivelmente, serão um grande laboratório para 2018.

 

A mística das redes sociais é que elas estão em constante transformação e devemos estar atentos à essas mudanças, acompanhando o seu ritmo. O que é tendência hoje, pode não ser amanhã.

 

É quase impossível afirmar quais serão as redes utilizadas no futuro, nem como elas funcionarão. Mas, com certeza, elas serão decisivas na escolha dos nossos governantes.

 

 

Foto: Acervo Marqueteiros

 

 

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