O pronunciamento da presidente Dilma Rousseff no Dia do Trabalho, pela primeira vez transmitido exclusivamente na internet, atingiu nas redes sociais apenas 2,5% da audiência potencial que teria, se fosse veiculado também em rede nacional de rádio e TV.
Esse é o resultado da estratégia de “valorização” da mídia digital, apresentada pelo governo federal como argumento para não usar o rádio e a TV, em resposta à crítica de que Dilma queria, na verdade, evitar um novo “panelaço” no país. No Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, opositores bateram panelas em diversas cidades do país, durante a fala da presidente na TV.
O pronunciamento de 2015 foi dividido em três vídeos distintos, com pouco mais de um minuto cada um, distribuídos a partir das 8:00 de ontem nas redes sociais. Computadas todas as visualizações obtidas, a audiência inicial foi muito menor do que a possível, via rádio e TV. Os compartilhamentos e “retuítes” devem ampliar um pouco o alcance, mas, ainda assim, ele ficará longe do que ofereceria a mídia eletrônica tradicional.
Os três principais perfis do Facebook que reproduziram os vídeos de Dilma – o oficial da presidente, o do Palácio do Planalto e o do Partido dos Trabalhadores – registraram, somados, cerca de 1.061.200 visualizações. As “curtidas” (likes) foram cerca de 42.700 e os compartilhamentos (share), 23.500.
Já no Twitter, não são abertos os dados sobre visualizações. Os dois principais perfis distribuidores dos vídeos – o de Dilma e do PT – obtiveram juntos perto de 2.700 retuítes e 2.900 likes. Mas esses perfis são seguidos por um total de 3.771.882 pessoas. Este público recebeu as mensagens de Dilma em sua timeline, mas não se sabe que porcentagem dele foi efetivamente exposta à fala da presidente.
Segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia 2015, realizada pelo Ibope para a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, 95% dos brasileiros assistem televisão, 73% diariamente. O rádio tem audiência de 55%, sendo 30% ouvintes diários.
Considerada a população brasileira, que o IBGE estimava em 204.192.701 habitantes às 13:00 deste sábado (a projeção é feita online, em tempo real), o alcance potencial máximo dos vídeos seria de 193.983.065 pessoas na TV e de 112.305.960 no rádio. Se apenas os consumidores diários dessas mídias fossem alcançados, seriam 149.060.671 na TV e 61.257.810 no rádio.
Já a soma das visualizações no Facebook com todos os seguidores de Dilma e do PT no Twitter atinge 4.833.088 pessoas. Caso todos os tuiteiros tenham assistido aos vídeos, a presidente foi vista nas duas principais redes sociais apenas por 2,49% do público máximo potencial que atingiria, via televisão.
Nos três vídeos gravados por Dilma, a presidente lembrou a política de valorização do salário mínimo nos governos do PT, defendeu a aprovação do PL 4.330/04 com diferenciação entre atividade meio e atividade fim, e considerou os protestos contra o seu governo como parte natural do processo democrático. A seguir, as gravações.
SALÁRIO MÍNIMO
TERCEIRIZAÇÃO
DIÁLOGO
Foto: Reprodução de Vídeo