Dilma no Jô, uma ação de comunicação eficiente

Como ação de comunicação política pontual, a entrevista de Dilma a Jô Soares foi um acerto. Uma ação de boa qualidade.

 

É óbvio que a equipe governista tem clareza do atual desgaste da imagem da presidente, expresso nos fantásticos números de reprovação da sua gestão. Sabendo disso, não há como não fazer nada. Políticos e profissionais de comunicação travam uma batalha permanente pela conquista da opinião pública e ela é ainda mais crucial quando a situação é de grande desvantagem, como agora.

 

Dilma acionou um mecanismo de comunicação que está à sua disposição de forma também permanente: a mídia. Buscou um espaço confortável, claro, na medida em que Jô Soares já havia se manifestado em seu favor em outras ocasiões. E buscou responder a uma demanda mapeada por empresas de consultoria e atores políticos há muitos anos: a de humanização, de proximidade com o público em espaço não oficial. Todo candidato já ouviu ou solicitou dos profissionais que o servem ações de comunicação com foco estratégico nesse atributo, a “humanização”.

 

Dois resultados confirmam o acerto de Dilma ao participar da entrevista: 1) a sua grande repercussão; 2) os gritos dos ativistas opositores nas redes sociais, buscando rapidamente desqualificar a presidente e suas palavras. Se fosse ineficiente como ação de comunicação, a entrevista não produziria tal reação.

 

Dilma não falou para os opositores. Falou para quem não está na luta política e para os seus apoiadores. Muitas vezes, as expressões de comunicação não são necessariamente pautadas para obter consenso. E nesse momento, nenhuma ação pautada por Dilma obterá consenso.

 

O que ela pode desejar é sair da mudez, sair do canto do ringue. Isso se dará, lentamente, se a estratégia iniciada tiver seguimento, com criatividade e talento por parte de seus formuladores.

 

Não que, com ações como essa, Dilma consiga resolver as contradições que suas decisões apresentam ao país. Ela não comanda o país sozinha, necessita de apoio no Congresso, no próprio governo e na sociedade. Ações de comunicação como a entrevista ao Jô são apenas “jabs”, como define a linguagem do box: pequenos golpes que não produzem a vitória, mas são necessários à luta.

 

Na entrevista, Dilma limitou-se a repetir a atual narrativa de seu governo sobre a situação do país, além da prolixidade conhecida. Não trouxe nada de novo quanto a isso. Mas ela se mostrou acessível, falou de sua vida pessoal, dialogou com tranquilidade e até sorriu.

 

Ação planejada e acertada, visou a distensão do ambiente de debate. Esse resultado não será obtido no curto prazo. Mas, se houver clareza nos objetivos estratégicos da comunicação de governo, ações como essa se repetirão, porque são necessárias. Aguardemos para ver.

 

 

Foto: Roberto Stuckert Filho / Palácio do Planalto

 

 

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