O case Fachin e a “eleição” para o STF

Nós, profissionais que assistimos pesquisas qualitativas cotidianamente, não podemos deixar de observar e festejar o que representou, para o país, o último processo de escolha de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Em vez de uma indicação aprovada protocolarmente pelo Senado, tivemos uma eleição de fato, em colégio fechado de votantes, mas com campanha pública e participação dos cidadãos.

 

A escolha do advogado e professor paranaense Luiz Edson Fachin, nesse aspecto, foi diferente das anteriores. Ela trouxe respostas à sociedade. Respondeu às demandas de transparência e participação que escutamos atrás das salas espelhadas, onde o povo discute os problemas brasileiros e opina sobre eles.
A oposição, cumprindo seu papel, tratou de gerar argumentos para inviabilizar Fachin. Ao fazer isso, jogou luzes nacionais sobre o debate. A sabatina obrigatória do candidato indicado pelo governo tornou-se evento esperado e teve audiência inédita. Ganhou as redes sociais, onde foi discutida com paixão.

 

A performance de Fachin foi impecável. Duramente interrogado e muito bem preparado, o professor respondeu democraticamente a todas as perguntas, com clareza, personalidade e conhecimento. Ao final, teve voto mesmo no PSDB. Se ele não demonstrasse credibilidade pessoal, poderia até perder. Mas não. Com o desempenho que teve, tornou inviável questionar o seu preparo.

 

Pela primeira vez, portanto, o país pode acompanhar minimamente o processo de nomeação de um candidato ao Supremo e pode avaliar a sua pertinência. Fachin venceu por nocaute, graças às suas credenciais. Obteve 52 votos a favor e 27 contra. Foi uma vitória do governo, com afirmação das regras democráticas.

 

A “eleição” do novo ministro do Supremo traz ensinamentos importantes para os profissionais de comunicação política, que não se limitam à novidade do indicado fazer campanha digital e media training para viabilizar-se. Ela confirma que vivemos num país cada vez mais crítico, democrático, plural e que a exigência demonstrada com Fachin será a mesma nas próximas campanhas, efetivamente eleitorais.

 

Seremos cobrados, justamente, se não formos capazes de entender recados como o desse case. O gesto político comanda a comunicação. Se ele é feito com credibilidade, vence. A demanda que une o eleitorado neste momento é pela verdade dos projetos políticos que convivem no ambiente plural. “Verdade” é um termo genérico, reconheço, mas Fachin mostrou-se e foi mostrado como verdadeiro.

 

Teremos outro eleitorado nas eleições de 2016 e 2018. A palavra-chave, mais do que nunca, será credibilidade. Um desafio bastante difícil, na atual situação.

 

 

Foto: Jefferson Rudy-Agência Senado / Flickr

 

 

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