Celebremos! É hora das campanhas baratas

Em meio a esse redemoinho de insanidades que tomou conta do país nos dias de hoje, finalmente uma boa notícia: o fim das “doações” privadas para campanhas eleitorais. Foi finalmente fechada a porta de entrada da maior causa da corrupção no mundo político-empresarial no Brasil.

 

Eu, que faço marketing político há 30 anos, só posso saudar essa decisão do STF. Saudar como cidadão brasileiro, que quer o melhor para o seu país, mas também como marqueteiro. Chega de campanhas cada vez mais milionárias!

 

Precisamos ter campanhas como nos primeiros anos de redemocratização no Brasil, quando a criatividade, a crença em ideias, partidos e candidatos era o motor principal. E isso fazia os eleitores se envolverem com a política, com a eleição. Havia mais verdade, mais garra, mais sinceridade. E o eleitor percebia.

 

Isso não é saudosismo atrasado, nem trabalho voluntário de agentes de caridade. É, sim, entender bem o momento que estamos vivendo. Estar “antenado ” para nossa realidade social.

 

Nem marqueteiros, nem dirigentes partidários, nem políticos têm que ficar ricos em campanhas. Marqueteiros e os profissionais que trabalham até a exaustão, carregados de responsabilidades, devem ter uma  boa e justa remuneração. Proporcional à  sua dedicação. E devem acreditar no que estão vendendo.

 

Os ganhos dos políticos devem se restringir à sua vitória nas campanhas. Ou, se isso não ocorrer, que eles saiam delas com uma boa e verdadeira imagem, que proporcione para suas carreiras respeito e admiração dos seus eleitores.

 

Vamos ganhar menos? Não! Vamos ganhar mais ! Afinal , na vida tem muita mais coisa importante do que dinheiro. Pelo menos é o que acho. Respeito quem pensa diferente, mas fico com as minhas ideias.

 

Além disso, fazer campanhas de custo baixo tem sido a minha rotina nesses meus 30 anos de marketing político. Nenhuma novidade.

 

Tive sucesso em várias delas, com orçamentos apertadíssimos. Nenhum impeditivo das suas vitórias. Perdi outras batalhas, mas não foi por ter orçamento apertado. Acertei e errei, orientei bons candidatos. E outros não tão bons. Assim caminha nossa vida. Mas sempre  saí de cabeça erguida delas. E dinheiro nunca foi o principal problema.

 

Para mim, então, com a decisão do STF, nada vai mudar. Vai mudar para o país. Para o combate à corrupção. E para nós e os políticos nos reinventarmos. Para conseguirmos a admiração de cidadãos e eleitores.

 

Vamos colocar a criatividade para trabalhar. Confesso que isso é o que mais me estimula nas campanhas.

 

Essa proibição do financiamento privado de campanhas me deixou tão feliz, em tempos tão sombrios, que esqueci de outro fato: a Reforma Política do Congresso Nacional quer diminuir o tempo das campanhas na TV.
Eu prefiro que diminuam o tempo dos programas sensacionalistas que escorrem sangue na tela da TV, ou o tempo das novelas, cujo ” mocinho” quase sempre é o mais “sacana”. Ou o tempo, ainda, do festival de violência das lutas de MMA.

 

Afinal, o cidadão não precisa ser mais politizado???

 

 

Foto: alternet

 

 

 

 

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