A palavra “renúncia” também deve sair do noticiário político em pouco tempo. O sentimento de descontrole vai passando. O governa trabalha afirmando que a credibilidade do Brasil está aumentando. Esperemos. Tomara que sim.
Chegamos ao quinto mês desse segundo mandato de Dilma e a vida segue, com acertos e erros. Valerá a Constituição de 88 e os resultados de um debate onde o país negocia como sair da enrascada.
Não há motivos para pregar a renúncia da presidente, além das posições pessoais sobre gestão, atitude política, etc, onde o campo é fértil e insensato. Se um dado objetivo surgir, aí a coisa muda.
O balanço da Petrobras foi bem conduzido por Aldemir Bendini, o que nos leva a crer que, se a posição crítica da sociedade for mantida, se a cobrança for multiplicada, a Operação Lava Jato pode não virar pizza. Pode ser que dela surja a revisão de muitos pactos centenários que carregamos, que avancemos sobre a cultura da corrupção, que hoje é questão mundial, com o Brasil na rabeira. Mas dentro da institucionalidade.
A “resposta às ruas” parece vir pelo aprofundamento das investigações da Lava Jato, que vem cumprindo um papel importante na educação política do povo brasileiro. Assim como as manifestações democráticas, vindas de todos os lados. O povo não deve ser poupado do horror de conhecer os intestinos do poder.
Ao olhar da Nação, a Lava Jato ganha mais forma e objetividade, independente do perfil de opinião da mídia de cada lado. Há a questão empresarial e a questão política, e também as questões estratégicas do que será melhor para o país. Afinal, trata-se da Petrobras, que tem uma história inteira de influência sobre os caminhos do país, desde a campanha O Petróleo é Nosso.
Há ainda muito debate pela frente e os políticos estão fazendo suas apostas. A Lava Jato é uma incógnita que pesa sobre todos “players”, de todo o país.
Neste momento, o PSDB tenta avançar na pauta do impedimento de Dilma. Discute o “timing” político, com uma denúncia controversa – a das “pedaladas fiscais” de Guido Mantega – para acusar a presidente de crime de responsabilidade.
Já se percebe que a tese das pedaladas é frouxa, não irá longe. A própria mídia vem destruindo o argumento. O PSDB está dividido. A bancada tucana, que prometia protocolar o processo nesta quarta-feira (29), já adiou a ação.
Os tucanos acreditam na aliança com outras siglas da oposição, para obter o impedimento de Dilma. Mas, mesmo unidos a partidos como PPS e PROS, não deverá chegar ao quórum necessário. Outra ala tucana defende o papel clássico da oposição: deixar o governo sangrar.
O lado parlamentar (com exceções) argumenta que o bonde do impedimento pode passar e aí, tchau, tchau, nunca mais, como eles mesmo dizem que aconteceu no Mensalão. Já o outro lado diz que o pedido de impedimento pode ser arquivado e aí tchau, tchau, foi-se a base legal. Seria melhor esperar por novos acontecimentos.
Todos os governadores do PSDB já se manifestaram publicamente contra o impedimento e por uma relação republicana com o poder central. Pode parecer apenas um gesto administrativo, mas não, ele resulta também num forte gesto político, que recebeu pouca cobertura da mídia.
É nesse ambiente conturbado que está sendo gestada a Reforma Política, tão ansiada. Nesse momento, pretende-se construir um arcabouço legal para reger as eleições e o jogo político nos próximos anos. É pouco promissor. Há poucas chances de se obter regras duráveis na legislação eleitoral.
Sobre o pedido de impedimento tucano das pedaladas, que seria apresentado mas não foi, Eduardo Cunha já se pronunciou: “Se encaminharem, eles que arrebanhem os 253 votos necessários no plenário para aprovar uma PEC. Senão, mando engavetar”.
Basicamente é isso, xeque-mate. O PSDB não conquistará os 253 votos necessários na Câmara, pois não mobiliza essa maioria. E o pedido irá para a gaveta.